sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
PAIXÃO REVIVIDA
As paisagens que moram em mim
Os pincéis da saudade repintaram
E dos meus passos todas as pegadas
Em poucos segundos refizeram
O bom uso da palavra foi inútil
Rasgando o peito, desfiz os ninhos.
Não achei dos labirintos, as saídas.
Assumi as farpas desses espinhos.
Confusa, minha poesia ficou torta.
Versos úmidos, impregnados desse sumo.
A razão, num delírio, perdeu o rumo.
Entendi que essa paixão não era morta
E revivendo os mais dementes desejos.
Vi a boca esfomeada a pedir beijos.
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
"Porque não??" - Soneto

Percorro o indicador, contorno teu semblante
Decoro cada ponto, caminhos a desbravar
Vejo nos traços linhas de uma historia errante
Imperceptíveis marcas, um cansado caminhar
Então nos teus versos vou procurar a essência
Verdades implícitas, nas entrelinhas escondidas
Espio entre elas, nas brechas da tua vivência
Bebo as tuas lágrimas, te sigo nas ruas perdidas
Olho teu rosto tão serio, dentro de mim te emolduro
Os ecos das minhas palavras tento entender, me torturo
Isso que nem sei o nome, sem que eu queira, me tomando
Nossos versos se casam, me chama pro teu peito
Sem ser de outro jeito, vou, me despindo e te olhando
Beijo teu rosto na tela, e vou pra cama sonhando.
Gloria Salles
30 outubro 2008
21h29min
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
ASSUMO
Assumo que quando sem norte peregrinava
E nos tantos descaminhos era mero viajante.
A porta originária da ilusão me abraçava.
Foi no teu olhar, que aportei contingente...
Assumo que meus pés feridos nos percalços
Desta terra alheia, quando ainda peregrina
Tuas mãos firmes e afáveis aliviaram o cansaço
E teu colo o berço que me fez outra vez menina...
Assumo, ofereceu-me no teu peito, a paz almejada
Foi na cumplicidade do olhar que achei meu cais
E não sei calcular o calibre da emoção saboreada
Quando mãos atrevidas foram balsamo aos meus ais
Assumo ainda, que no aconchego do teu abraço
Abandonei meus medos, segura, no teu compasso
Glória Salles
domingo, 8 de fevereiro de 2015
“Palhaço, trovador...”
A antiga peleja inda existe
Entre o que quero e o que faço.
Um lado de mim não desiste
Das regras, da ética, dos laços.
.
Porém o outro “eu” se desprende
Não segue arrastando nostalgia
Compõe versos nus, irreverentes
Pinta a cara e a vida de alegria
.
Sai do casulo do preconceito
Deixa no passado as lembranças
Oferece colo, o aconchego do peito
Vibra ante o riso puro das crianças
.
É que a pintura arrisca esconder a dor
Na festa do palhaço, no verso do trovador.
Glória Salles
17 abril 2011
sábado, 7 de fevereiro de 2015
O QUE FALTA
De cavalgar feliz, meu
coração tem pressa
Seguir o rastro da lua,
versos derramando
De um terno olhar, que
extravasa promessa
Ser a tua musa, quando
estiver versando
Quer a posse reinante de
um sentir escancarado
Altivo, amante, voejar
solto nas asas do vento
Mas esta lacuna lhe
trava, e um sonho atado
Impõe-lhe esta solidão,
profana e sem alento
Um vazio tirano faz
ninho, no íntimo morando
Se refugiando no sombrio
sótão, camufla seus ais
Lucidez desfalcada, seus
desertos povoando
Convive com o pranto, e
fantasias banais
Rabiscos confusos na
branca folha de vida
Letras desconexas,
borrão, aquarela escorrida
Glória Salles
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
TEU CORAÇÃO, MINHA CASA
É inútil trancar todas as entradas
Na casa do teu coração faço morada
Apenas eu preencho teus nadas
Às minhas rendas se rende na madrugada
Dissemino meu cheiro pelos tapumes
As paredes do teu intimo impregnando
Altero todas as rotinas, teus costumes
Sou o desejo no teu corpo gotejando
No cálculo das tuas horas, na contagem
Sou saldo positivo, que te faz perceber
A vã tentativa de extinguir minha imagem
Que coisa alguma vai minha marca remover
Posso até ser fábula, enigma, ou delírio talvez
Mas é nos meus rios que teu sonho tem placidez
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A. —
quinta-feira, 9 de maio de 2013
AMOR INVASOR
Há muito, não são raros os momentos
Perco-me na vastidão de mim, solitária
E quando este vácuo, do nada se instala
Arrasta-me inerte, perdida, sem alento
Então por tantos desejos vagueio louca
E pela voz rouca deixo-me seduzir
Lança insano convite, um amor alienado
Num chamado de entrega nua e tosca
Deixo-me ir à força de um vento qualquer
A mulher que há em mim intui a suavidade
A eternidade da entrega é musica ao ouvido
E o fascínio selvagem, é tudo o que se quer
É certo que é passageiro este momento pleno
Mas o íntimo necessita deste letal veneno
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
NO MEU ENCALÇO
É inútil inventar caminhos sigilosos
Tentar me afastar, cada vez mais alem
Ele compõe versos com olhares maviosos
Absorve meu gráfico, faz o jogo que convém
E se meus pés me guiam por outro compasso
Delineando alamedas com acesso oculto
Com delírio e vontade de amante devasso
Num relance me acha, reconhece meu vulto
Nos teus braços descubro minha outra metade
Seu abraço afasta a tempestade devastadora
Mãos ciganas, febris, acordam minha vontade
Levam-me na madrugada, doce e sonhadora.
Beijos despudorados provocam nossos sentidos
Nas águas deste desejo, mergulhamos atrevidos
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
PALIATIVO IMPERIOSO
Estremeço quando suas palavras baldias
Tão esperadas em tempos longínquos
Vêem escoltadas em frases ocas e frias
Apostando reconstituir sentidos oblíquos
Nesse delírio perde-se no vácuo meu sentir
Entorpecida, fico à mercê da faltante lucidez
Que me rouba as forças e o ímpeto de fugir
O que um dia foi febre, hoje é escassez
Se a explosão outra vez adiada não obstante
Deposita no vácuo, sem pudor, esse gosto de fel
Arrasta-me então solitária, num caminho vibrante
Um itinerário envolvente, porem cínico e cruel
A esse atalho sem emoção, me transporta
Paliativo para um ardor, que já não importa...
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A.
terça-feira, 30 de abril de 2013
APENAS EU
Apenas eu conheço meus arroubos absurdos
E a incoerência, tento domar inutilmente.
Apenas eu sei o que movimenta meus surtos
E a causa desta insônia austera, indolente...
Apenas eu conheço os espectros desta cadeia
Que acorrenta meu caminhar embaraçado
Apenas eu sei da sofreguidão que permeia
Quando me olha, feito um passante desavisado...
Apenas eu sei adequar esta história cálida
Ao meu universo, ornamentando os tapumes.
Apenas eu sobrevivo a esta amabilidade pálida
Sustentando com altivez, meu orgulho incólume...
Somente eu sei ser festa em todos os teus momentos.
Ainda que insensível, eleja o som de outros ventos...
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A. —
segunda-feira, 15 de abril de 2013

“Panorama...”
O
invólucro de certezas que inda sorvo
Adorna
o panorama por onde caminho
O
cheiro agridoce da espera que absorvo
Transforma
a ilusão num cais, num ninho
Atraco
a embarcação; meu pergaminho,
e
espanto as letras turvas qual um corvo
acompanhada
de um velho e bom vinho
que
embriaga a inspiração e me comovo
E
se a melancolia ousa se acender, portanto
Ainda
que com loucas falcatruas, tramando
Possuo
o comando desta investida abissal
Verso
e com o reverso teço um manto-encanto
meu
cais, meu ninho, vão se modificando:
Poemo
sóis e luas, dissolvendo o temporal
Glória
Salles & Lena Ferreira
terça-feira, 9 de abril de 2013

Aquele beijo em ritmar uníssono
Implorado pelo meu olhar falante
Cingiu o fogo do coração monótono
Foi tempo de trégua na vida errante
O calor do abraço acendeu a chama
Vestígio cabal de vida inda pulsante
Desatei os laços da ética e pela cama
O amor represado desaguou pulsante
Ombreou nossa porta uma doce magia
Violou com encanto os sonhos guardados
Ocupou os espaços da mútua fantasia
O desejo explodiu sem medo do inesperado
Promessas de amanhãs infinitos, não esperei...
Mas minha falta beijará sua lembrança, eu sei...
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-EDA
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Você foi o
ascendente de todos os meus enganos
O caminhar interrompido na soleira da entrada
O beijo roubado que alimentou os desenganos
O beijo roubado que alimentou os desenganos
Na tarde divertida e visivelmente apaixonada...
Foi engano o efeito de flutuar quando me olhava
E o esmero imensurável que
acreditei ser verdade
O jeito
terno no olhar, no sorriso que espreitava.
Talvez
fosse embuste o cheiro do fim de tarde...
Os sussurros nos abraços nutriam minha urgência
Ajustavam-se
impecável na medida da minha ilusão
Talvez pra
me indenizar por tua futura ausência
Conferindo-me
a penumbra da austera solidão...
Revelou
falso amor, mas não lhe atribuo engano.
É culpa do
meu coração, carente, cego... Insano...
Glória
Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A. —
sexta-feira, 29 de março de 2013
“Mergulhar sem medo”
Nas avenidas dos meus versos um desfile ameno
De palavras sutis camufladas em sinistra apatia
Que despretensiosas transportam doses de veneno
Impregnando os breves instantes de fé e alegria
Juro... Quero os medos deixados num canto qualquer
O som dos nossos risos nos cômodos do coração
O se ao ouvido o som da sua voz diz: Minha mulher
Mergulho sem temor, ainda que precoce relação.
Quero teus gestos febris e insanos, me tirando o chão.
Flutuar, ao sabor do seu beijo que provoca loucura.
Permitir-me os riscos que envolvem essa paixão...
Deleitar-me no calor do teu peito, que é só ternura.
Seguir leve absorvendo esse sentimento inusitado
Gravar nossa historia, nesse olhar compartilhado.
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A. —
segunda-feira, 25 de março de 2013
"Contraditório...?"
Quis caminhar contigo a jornada da vida
Confundir-me em teus poros, doces arrepios
Você andou sem receio, na veia enlouquecida
E ardemos feito pimenta em tantos desvarios...
Quis lhe proporcionar vivas noites de ardor
E acreditei fazer jus as tuas expectativas
Quis ser teu pecado, tua mulher, teu amor
Injustificada loucura, fantasias subversivas
Quis, com toda presunção ser musa de tua poesia
E realizar teus sonhos, os devaneios concisos
Quis teu amor despudorado, tua companhia
E de todas as tuas manhãs, ser o melhor sorriso...
Contraditório é pedir aos céus com vibrante voz
O que prontamente nos deu, quando uniu a nós...
Glória Salles
-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A. —
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
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