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domingo, 27 de dezembro de 2009

“Posseiro de mim”



 “Posseiro de mim”

Quando me olha assim, prometendo beijos.
E mãos decididas me seguram sem defesa
Peregrinamos pelas alamedas dos desejos
E o abraço premeditado, só me põe acesa.

O murmúrio da voz rouca ecoa nos ouvidos
Fazendo nas entranhas voejar as borboletas
Quando os lábios se alastram no colo desnudo
Inconfessáveis delicias moldam nossas silhuetas

É um fascínio que invade veemente meu juízo
Ofegantes, nosso silencio fala, eloqüente e conciso.
Alagando meus poros tua fragrância me inebria

Os recônditos de mim já contavam nossa historia
E cada célula do meu corpo conhecia a trajetória
Esperava-o, posseiro de mim, que breve chegaria.

Glória Salles
23 outubro 2009
15h53min


sábado, 26 de dezembro de 2009

“Estratégia”


























Estratégia”

Neste meu isolamento busco a calmaria
Num mundo só meu onde invento o cenário
No silencio questiono minhas loucas manias
E descortino um mundo talvez imaginário

Desafino conceitos e cedo à vida do termo
Pés descalços caminham por folhas brancas.
Para rimar a poesia, o verso segue estafermo.
Pergaminho pesado trava que não destranca.

Simulo os rastros nos vácuos da insensatez
Invento esquinas e mudo o rumo da emoção
Sob minha ótica meu silencio é só placidez
Pois o futuro é uma hipótese sem explicação

Por hora quero ombros nus, habitar a liberdade.
E a estratégia da brisa, mapeando minha verdade.

Glória Salles
19 setembro 2009
00h52min




domingo, 20 de dezembro de 2009

“Seria tão mais simples”




“Seria tão mais simples”

Seria muito mais simples, se eu não perdesse o ar.
E os murmúrios não evidenciassem o estado ávido
Se me fosse indiferente tão dentro do meu o olhar
Onde originou meus sonhos, irrigou o chão árido.

Como ficar apática a este olhar sôfrego e intenso?
Como ser indiferente a compressão do teu abraço?
Se a conivência da saliva mantém o braseiro denso.
E em todos os vãos de mim, são tuas mãos que caço.

Seria tão melhor na fantasia dos versos permanecer
Não mais hospedar lembranças que volta e meia vem
Trazer confissões e deleites, ancorados neste querer.
Ofuscar esta inquietude que me transforma em refém

No ventre,borboletas inquietas querem o vôo perfeito.
Da textura,o calor da pele, minha cabeça em teu peito.

Glória Salles
21 outubro 2009
02h02min


sábado, 12 de dezembro de 2009

“Posse cedida” – Soneto



 “Posse cedida” – Soneto

Rompendo os limites, devora minha consciência
Escolhe todos os caminhos, não admite recusa
Dessa tua doce alquimia, desconheço a ciência
Enlaça-me nesse abraço, não permite rota de fuga

Viola-me os controles sem nunca pedir permissão
Sem dar chance me alicia no seu prazer repetível
Monopoliza territórios, rouba dos meus pés, o chão
Mistura nossas células, com esse sorriso irresistível

Em cada frase dita, oferece palavras de mansidão
Desperta as borboletas no ventre, só o toque da mão
E minha alma cede, a reedição de todas as delicias

Exilada no teu corpo, os ventos que me asilam se vão
Suspensa em mim,quero musica, quero poesia, dançar
Porque o que é bom e nos faz feliz, queremos perpetuar

Glória Salles
23 outubro 2008
16h04min 

sábado, 5 de dezembro de 2009

“Da minha janela”



“Da minha janela”
Quando o dia lânguido
se deita nos braços da noite
Apenas o ruído das mãos
quebra o silencio que reina
na penumbra branda.
E as estrelas nos olhos
são luzeiros que ofuscam
os entorpecidos crepúsculos.
No carrossel de delírios
brinco entre fantasias.
Aí meus cinzas são cores
vibrantes e intensas...
Doces momentos trazidos
pela fresca aragem.
Passeio nas veias da ilusão
encorpando a melodia que
leva meu pensamento.
Lanço-me inteira nas ruas
inventadas, onde os sonhos
são ecos de verdades...
Da minha janela
tanta vida...

Glória Salles





terça-feira, 1 de dezembro de 2009

“Ele me encanta completamente” - Soneto





A imagem que embevecida vejo, abastece a almotolia.

Que sob esse prisma lubrifica as sensações latentes
Pensamentos desorientados estimulam a travessia.
Deste azul profundo que acorda anseios ondulantes


Evidencio meus silêncios num momento único.
A partir dos meus vácuos, sigo caçando respostas.
Por ser tão forte o desejo desse mergulho súbito
Num breve instante, vejo as incertezas expostas.

Lembranças de viagens, pegando no vento carona.

Onde o bonito era real, sem ponto de interrogação.
Vibro no anseio de alçar vôo, desse mar azul ser dona.
Sem tantas reticências, uma vírgula, um travessão.

Antes do ponto final, abraçar o futuro sem bagagem.

Então saberei que alcancei inteira, a outra margem...


Glória Salles
26 novembro 2009
23h16

sábado, 28 de novembro de 2009

“Um dia de cada vez...”



“Um dia de cada vez...”

São bocados de lembranças atadas ao tempo
Que parecem não ter forma, ambiente, sequer cor
Ensurdeço nesta ânsia de atrasar o tal momento
Desejo uterino de ouvir o pulsar, sentir o calor

Nossos opostos acumulados eram emoção e razão

Feitas da mesma matéria éramos causa e efeito
Hoje meu olhar vaga, nada assimila com exatidão
É meu coração pulsando, agora fora do peito

E fica uma sensação de busca interminável

Parece esquina errada, assunto mal acabado
Hoje, metade de mim domina a dor implacável
E a outra metade abraça um ser fragmentado

Munida de força e fé, sobrevivo com altivez
Sustentando esta saudade, um dia de cada vez.

(Gloria Salles )

Imagem de :
www.olhares.com/luizhenrique


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

“Tantas frestas” - Soneto





















“Tantas frestas”

A incapacidade das minhas letras mutiladas
Deixam sem querer, expostas tantas feridas.
Um canto repleto de notas tristes despejadas.
Cuja harmonia se foi, em tantas vindas e idas.

E nos recantos dos versos, frestas denunciam.
O esforço contínuo que ainda em mim perdura
De querer novo começo, mas os gritos silenciam.
Limitando a eficácia do que considero armadura

Frestas evidentes me fazem um ser vulnerável.
Aos sutis e astutos ataques do ego inflamado
Que caça o ponto fraco, tentando faze-lo inábil.
Tentativa vã de ver o muro de arrimo dizimado

Porem se pelas frestas a luz turva meu olhar
Por elas, o norte certeiro me capacita desvendar.

Glória Salles
31 outubro 2009
22h56min

terça-feira, 17 de novembro de 2009

“Dança comigo...”



“Dança comigo...”

O brilho solícito no olhar fascinante
Deslizar nos acordes suti
s da sinfonia

Sensual caricia em harmonioso ritmo
Inconfessável sussurro, canto que inebria.

Sedutora fragrância faz o sangue ferver
Precisão de movimentos, linguagem poética.
E a mão quente espalmada nas costas nuas
Faz perder o tino, entorpecer, esquecer a ética.

O olhar dentro do olhar desnuda a alma.
Os corações pulsam no mesmo compasso
O enroscar de pernas provocando arrepio
A sinfonia da ternura conduzindo os passos

O beijo esperado prolonga a mágica hora
Emoção e paixão fazem o tempo de agora...

Glória Salles
09 setembro 2009
19h05min





segunda-feira, 9 de novembro de 2009

“A mensagem do mar” - Soneto




























“A mensagem do mar” - Soneto

Dinamitei o cais cheio de espaços precários
Espargindo fragmentos de minhas emoções
Pedi ao mar que levasse os sonhos solitários
Numa concha qualquer guardei as recordações

Encarcerei os sonhos que andavam a deriva
Tranquei os pactos alicerçados no amanhã
Não ouvi a censura das vozes prerrogativas.
Rabisquei versos vagos, cheios de rimas vãs.

O conceito de certezas castas, a maré levou.
E na dúvida do momento repudiei a crença
Abandonada na areia, a onda meu pé beijou.
Irrigando o solo árido da minha indiferença

Entendi a mensagem composta neste azul abissal
No meu poema há reticências, jamais ponto final.

Glória Salles
09 outubro 2009
00h12min


terça-feira, 3 de novembro de 2009

“Pede…”















“Pede…”

Pede, e recosto em seu peito condescendente.
E ouço suas dóceis e envolventes juras de amor
Pede, e deixo-me persuadir pela cumplicidade.
Do olhar enigmático e oculto que revelam ardor

Pede, e não permito entre nós nenhum espaço.
Deixo seu sorriso aberto me enlear as vontades
Pede, e consentida, respiro feliz no seu compasso.
E deixo o desconhecido ganhar ares de realidade

Pede, e alço vôo no azul do seu corpo sedento.
Deixo seus afagos, me caçarem ousadamente.
Pede, e deixo o corpo falar, no crucial momento.
E entre sussurros e sorrisos, recebo-o no ventre.

Por fim, se lacônico ou inesgotável, estes laços.
Pede, e me abandono na paz dos seus abraços.

Glória Salles
26 outubro 2009
23h57min

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

“Escassez de respostas”















“Escassez de respostas”
Submersa em minha confidencial intimidade
Vou alem da parábola, nas entrelinhas das letras.
Caçando minhas origens, escancarando as gavetas.

E na complexidade do sentir, tento a distinção.
Entre a mentira camuflada em atos brejeiros
Ou a verdade revelada somente aos travesseiros

Numa hesitação aceitável prossigo num curso livre
Escolhendo os atalhos, sentindo do norte a aragem.
A causa de tantos porquês, transportando na bagagem.

Ironicamente roubando minha certeza do depois
Fazendo-me peregrinar acarretando compunção.
Hospedando fantasmas que minam minha opção.

Nas paragens dos caminhos, sigo dispondo vestígios.
Vou delineando num amanhã próximo, minhas rotas.
Não obstante ao esforço, existe escassez de respostas...

Glória Salles
25 outubro 2009
15h53min

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

“Tem dias...”















“Tem dias...”

Tem dias em que me perco em meus enigmas.
Quando consigo contrafazer imensa lacuna
Aturdida vou rabiscando versos sem rimas
Sentimentos peregrinam em densa bruma

Para o oculto do que sinto, sou rota medida.
Sou esfinge nebulosa, sem definição precisa.
Nem as estrelas conseguem indicar a saída
Desse labirinto de interrogações concisas

As certezas pousam ao relento na madrugada
Na oponente palidez dos meus subterfúgios
Exausta de me esquivar nos atalhos da estrada

Esquadrinho atalhos nos atemporais refúgios
À procura de mim saio num nômade mergulho
Não me vejo, mas em sedenta busca, me procuro.

Glória Salles
22 de setembro 2009
23h46min


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

“Nômade…”

“Nômade…”

Indefinível minuto ou atemporal estação
Se minha alma decide o alento abraçar
Lanço ao vento os suspiros do coração
Da minha alma os gritos, tento dissimular.

De memórias distantes se faz minha escrita
Diversas lembranças, sonhos algemados...
Minha mão escorrega por onde acredita
Consinto resignada; versos dolentes, calados.

Caminho por minhas ruas revirando imagens
Buscando abandonar ao longo do caminho
Em algum ponto da estrada todas as visagens
Que perpetram os pensamentos em desalinho

Nômade, só em meus versos me aprofundo.
Calo minhas auroras na vastidão do mundo.

Glória Salles
18 setembro 2009
22h46min

sábado, 10 de outubro de 2009

“Tua” - Soneto















“Tua” - Soneto

No horizonte tenho o olhar perdido
Debruçada na noite que já vem
Voz embargada, calando meu grito.
E as lembranças que ainda me sustem.

Chamo teu nome e se ouvires minha voz
Mantenha-me no teu sono, acordada.
Não me perca, nem perca o endereço.
Dessa minha emoção escancarada.

Serei sempre do teu pulmão, a vida.
Deságuo-me rendida em teus afetos
E em mim, terás sempre guarida.

Teu amor é regente dos meus dias.
Recupera a paz antes perdida.
Sorriso, que me faz manter a vida.

Gloria Salles
08 outubro 2008
23h12min

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

“Um dia de cada vez...” - Soneto






















“Um dia de cada vez...” - Soneto

São bocados de lembranças atadas ao tempo
Que parecem não ter forma, ambiente, sequer cor.
Ensurdeço nesta ânsia de atrasar o tal momento
Desejo uterino de ouvir o pulsar, sentir o calor.

Nossos opostos acumulados eram emoção e razão
Feitas da mesma matéria éramos causa e efeito.
Hoje meu olhar vaga, nada assimila com exatidão.
É meu coração pulsando, agora fora do peito.

E fica uma sensação de busca interminável
Parece esquina errada, assunto mal acabado.
Hoje, metade de mim domina a dor implacável.
E a outra metade abraça um ser fragmentado.

Munida de força e fé, sobrevivo com altivez.
Sustentando esta saudade, um dia de cada vez.

Glória Salles
05 outubro 2009
18h15min




Minha homenagem a uma mulher sensível, porem forte,
que está a cada dia, em doses homeopáticas, é verdade,
superando a dor da perda, acreditando na fé, vivendo por ela,
e sabendo que é só uma questão de tempo.
E Deus fará o (re) encontro esperado e definitivo ,
quando a "viagem" acabar, na ultima estação...
Te amo querida...

domingo, 4 de outubro de 2009

“Foi real..."


















“Foi real..."

O tilintar das taças não foi mera utopia
Nem a simultaneidade das respirações
Menos ainda o calor das mãos ávidas
Que desenharam famintas, minha anatomia.
Foi verdade o arrepio quando a indolente
barba roçava e marcava meus recantos
E o olhar dentro do olhar denunciou
o braseiro que queimava mossas entranhas...
No sorriso indecente a certeza do prazer.
E quando as borboletas enfim silenciaram...
Sentindo-o ainda nos recônditos de mim
No peito ainda arfante adormeci lânguida
Envolta nos braços que adornou meu cansaço...
A madrugada nos envolve e lasciva se alonga
Na pele, tuas digitais pra sempre tatuadas.

Glória Salles
26 setembro 2009


terça-feira, 29 de setembro de 2009

“Quem é este homem?” - Soneto

















“Quem é este homem?” - Soneto

Quem é este homem que com movimento preciso
Em tão suaves enleios desvenda minhas ilhas
Faz ecoar suas vontades, é evidente e conciso.
Entorpece-me e enlaça em suas armadilhas

Quem é este homem que envolve lascivo
E em seus subterfúgios e malicias me perco
Que promete suprir meu compasso afetivo
Arquiteta emboscada me prende em seu cerco

Quem é este homem que me conduz sem musica
Que num simples toque me desnuda os contornos
Que reconstrói as palavras compondo suplicas
E num atrevido juramento manifesta suborno

Se minha artéria ferve com seus ardentes beijos
Quero o fulgor do verbo envernizando os desejos

Glória Salles
19 setembro 2009
17h56min

terça-feira, 22 de setembro de 2009

“Meu verso é livre” - Soneto

“Meu verso é livre” - Soneto

Meu versejar é livre feito o vento
É barco à deriva em mar aberto
É muro de arrimo ao sentimento
Mas rejeita da mordaça o aperto

Não tem a pretensão da lógica fria
Destoa muitas vezes da imagem
Põe tempero em excesso na magia
Ou é irreverente, franco e selvagem.

É convite à aspiração do meu instinto
Como um zaino solto na invernada
Exonera-se à vertigem do labirinto
Verbos no peito tecidos, brasa alastrada.

Quero os versos assim, desaguando em foz.
No fertilizar das palavras, expandir a voz...

Glória Salles
30 de agosto 2009
21h40min