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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

“As fendas do meu poetar”



“As fendas do meu poetar”

Quero só papoulas em meu jardim
Alicerces firmes em minhas paredes
Costurar poemas, bordá-los em mim.
Palavras sutis, tecendo as redes.

Nua de pudores, despir os sonhos.
Emprestar a vida, sorriso e asas.
Deixar as malas, de sonhos bisonhos.
E destemida, escancarar vidraças.

Na florescência da fé achando o prumo
A cada ciclo da vida deixar-me morrer,
Nessas idas e vindas, renovar-me, renascer

Quero nesse compasso traçar o rumo.
Pelas frestas do meu sonho viajar.
Preenchendo as fendas do meu poetar.

Glória Salles
Em 26 julho 2008

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

“Loucura te amar...”

“Loucura te amar...”

Tua boca de vulcão me convida a um mergulho
Abarco veloz, em brasa, pressentindo o arrepio
Devoro a fruta dos teus lábios sem o menor orgulho
Perpetrando os sentidos, que me arrastam ao desvario

La fora, a lua abraça a noite, prateando teu olhar
Esse mesmo olhar, mavioso, aguçando os sentidos
Que famintos te procuram, na ânsia de te alcançar
Perder a noção do tempo, achar esse ouro escondido

E vou... Provar todo o calor, que vem dessa erupção
Sob a esperada proximidade do teu corpo, estremecer.
E ao ser ternamente tomada em tuas mãos, desfalecer

Vou, porque a voz que me chama, hipnotiza o coração
E já fora de mim, dou-te todas as minhas metades...
Pra sermos unos, inteiros, assumindo nossas verdades

Glória Salles
07 outubro 2008
19h33min

sábado, 24 de janeiro de 2009

“Solidão”

“Solidão”


Já não importa mais esse teu jogo.
A esperança já desbotou no varal.
A indiferença apagou todo o fogo.
Neblinou, deixou frio esse quintal.

Não nos move a paixão contraditória.
Noites de aconchego já não tramamos.
Talvez, se quer estejam na memória.
Tudo o que nós, cúmplices, planejamos.

Aquelas flores que cevaram o caminho
Sem viço, não perfumam nosso ninho.
Nem o vento sopra o som da nossa voz.

Até a lua, a comparsa dos amantes.
Não prateia a varanda, como antes.
Negou o límpido clarão, nos deixou sós.

Glória Salles
24 julho 2008
00:22h

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

“Nos meus sonhos”

“Nos meus sonhos”

Dentro dos meus sonhos perspicazes, pueris
Tua presença cálida e benfazeja faz morada
Imaginar-te em mim, me alimenta, faz feliz
Empresta a limpidez da esperança alicerçada.

Singrando o coração nestas águas plácidas
Vai meu sonho navegando por tua calmaria
E o afã de outra vez, em palavras tácitas
Qual fonte, inundar vida em tuas fantasias.

No sonho, que traz teu coração perto do meu
Quero pra sempre te encontrar e me perder.
Então me farto, e no teu fogo quero arder...

O que de melhor existe em mim, ainda é teu
Por isso insisto nesta saudade que perdura.
E te chamo, pra ser presença que me cura.

Glória Salles
21 janeiro 2009
16h44min

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

“O que ficou do “alheio”


“O que ficou do “alheio”


Não posso acreditar que caí nesse engano
No teor expressivo que nos versos empregas
Se fui apenas teu vicio... Teu desejo insano
Fui passional e inteira nas minhas entregas

Se teu cansaço, minhas águas não curaram
Se perdida de amor, só consegui ver miragem
Se apenas o prazer do meu corpo te ataram
Então na varanda não haverá mais aragem

Dos teus veículos desço mesmo em movimento,
Nem vou na alma reter nenhum sentimento
Mas neste ardiloso jogo, não serei arrebatada

A varanda que um dia foi de sonhos, permeio
Servirá só de abrigo, pras sobras do “alheio”
Tuas noites pra sempre de solidão fadada.

Glória Salles
27 de outubro 2008
19h06min

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

“Sem respostas” – Soneto




“Sem respostas” – Soneto

Avaliar porque falhou aquele instante
Fragmentar resquícios de memória
É como fugir sem endereço, meio errante
Buscar explicação, nos pedaços da historia

O sonho irrealizado, as palavras não ditas
Perderam-se nos labirintos do nosso universo
Inescrutáveis momentos, lembranças distintas
Deixadas ou perdidas nas frases de cada verso

Tentar entender o vazio esquecido em cada vão
É num corpo desprovido de alma, procurar calor
E nesta casta ambigüidade, reformular a dor

Muito menos doloroso seria não buscar razão
Ou esquecer num canto, os detalhes de nós
Sigo sem respostas, vendo o brilho da lua, a sós...

Glória Salles


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

“Eis minha fuga” - Soneto



“Eis minha fuga” - Soneto

Para tentar abranger, dominar o sentimento
Adestrar o psicológico já perto da tortura
Num parto de palavras, amordacei o tempo
Sucumbindo ao ensejo, do compor à loucura

Do coração vertem rimas, que anestesia
Num emaranhado de sensações doridas
Alma imergida nas entranhas da grafia.
Vagueando entre as reticências remexidas.

Logo, ficam fartas as linhas do poema...
Crio forma do alto da minha irreverência
Os versos, antes mudos, expelem eloqüência.

Vejo então que é porta de abrigo, o fonema
Na avalanche de palavras, a alma se refugia
Suspiros derramados, rimas da minha poesia.

Glória Salles
02 janeiro de 2009
22:41hrs


sábado, 3 de janeiro de 2009

“Incessante espera”

“Incessante espera”

Um sentir incontrolável sempre me arrasta
No rastro dum perfume em direção ao cais
O horizonte pinta a tarde de cores castas
Dos sonhos espessos que regem meus ais

Nas águas, imagens de sonhos incompletos

Que flutuam despidas do elixir da certeza
Coração sem noção vive tempos incertos
Espera ofegante e nas artérias lateja...

Aqui nos perdemos, no ócio lascivo do tempo
E o mar foi o a rede que o desejo embalou
Sussurradas promessas que me deslumbrou

Carrego nos poros o cheiro daquele momento
Que projetou futuro nas minhas verdades...
Noutra praia desse mar moram minhas saudades

Glória Salles
17 novembro 2008
00h19min

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

“A poesia ressurge”

“A poesia ressurge”

Perdidas, as palavras em mim fertilizam
Preenchendo esse vazio, quase imutável
Invasoras do meu espaço, elas se mostram
Barulho fértil nesse meu silêncio execrável.

São ecos dentro em mim impondo gemidos
Que vasculham sem licença meus recantos
Ultrapassa limites, desfalcando os sentidos
Os rios claros da minha vida transbordando

Dou-me aos verbos deixando fluir a poesia
Delas ressurjo em sonhos quase infantis...
Impregnado nas veias, os tantos versos senis

Antes trancados no peito, hoje são pura magia
Desatando segredos, e se mostrando aos poucos
Minha alma expõe, queima os instintos mais loucos.

Glória Salles