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quarta-feira, 28 de julho de 2010

“Tem explicação?”


 “Tem explicação?”

Como explicar esse terno compartilhar
Emoções difundidas nas letras dos versos
E derramar-se em sentimentos ingênuos
Se no seu coração eu sou ninguém?

Como explicar a angustia camuflada
Em palavras gentis às vezes silenciadas
E o compelido sorriso quando você vem
E deixa rastros de sua luz na minha poesia?

Como explicar o coração extasiado, em festa.
Só por sabê-lo bem e feliz, ainda que assim.
Aceitando a renuncia de impor minha presença
E apenas seguir seus passos no silencio de mim?

Como ficar feliz acariciando esse pouco, ou nada.
De saber-me, só letras vagando num verso sem rima?

Glória Salles
13 maio 2010
19h02min

domingo, 25 de julho de 2010

"Nosso trato" Glória Salles e Replica de Damáris Lopes - "Assino nosso trato"


“Nosso trato” 
.
Fixamos um trato, meu coração e eu
Não nos lambuzarmos em palavras de mel
Que naufraguem sonhos, em pleno apogeu
num mar de ilações, onde o doce vira fel
.
Não pulsar ,desesperados por um querer incerto
Nem nas grades do desejo deixar-nos arrebatar
Conhecer nossos limites, ir no âmago do afeto
Desse elixir suave nunca mais nos embebedar
.
Não nos deixar levar nas asas de todo vento
Pois nadar nas ondas da loucura é tormento
E por mais que nos custe ver na razão o viés
.
Não respirar emoções, cujo ar não nos furta
Pois sentimento qualquer, é feito coberta curta
“Quando a cabeça aquece, congela-nos os pés...”
.
- Glória Salles –
06 agosto 2010



 (Réplica)
Assino Nosso Trato

Melado mel que flamba ao rubro caldo
Decanta meu eu a favor do turvo pacto
E o corpo bailarino que dirige o palco
Decreta ao amor duras cláusulas neste ato.

Cumpridor sou das veias do querer
Aceito o pulsar menor do universo
Ao sufocar desejos deterás teu ser
Provável assim, num amor submerso.

Sofrer diminuto não sobrepõe à regra
Avesso aventureiro afiança teu viver
Por fim, curvo-me quieto à lei do bem

Nosso trato finca rédeas a tua entrega
Terás a pena pelo amor que merecer
Melhor assim, que pulsar por ninguém.

- Damáris Lopes –



terça-feira, 20 de julho de 2010

“O que ficou do “alheio”


“O que ficou do “alheio”

Não posso acreditar que caí nesse engano
No teor expressivo que nos versos empregas
Se fui apenas teu vicio... Teu desejo insano
Fui passional e inteira nas minhas entregas

Se teu cansaço, minhas águas não curaram
Se perdida de amor, só consegui ver miragem
Se apenas o prazer do meu corpo te ataram
Então na varanda não haverá mais aragem

Dos teus veículos desço mesmo em movimento,
Nem vou na alma reter nenhum sentimento
Mas neste ardiloso jogo, não serei arrebatada

A varanda que um dia foi de sonhos, permeio
Servirá só de abrigo, pras sobras do “alheio”
Tuas noites pra sempre de solidão fadada.

Glória Salles