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terça-feira, 30 de abril de 2013

APENAS EU




























Apenas eu conheço meus arroubos absurdos
E a incoerência, tento domar inutilmente.
Apenas eu sei o que movimenta meus surtos
E a causa desta insônia austera, indolente...

Apenas eu conheço os espectros desta cadeia

Que acorrenta meu caminhar embaraçado
Apenas eu sei da sofreguidão que permeia
Quando me olha, feito um passante desavisado...

Apenas eu sei adequar esta história cálida

Ao meu universo, ornamentando os tapumes.
Apenas eu sobrevivo a esta amabilidade pálida
Sustentando com altivez, meu orgulho incólume...

Somente eu sei ser festa em todos os teus momentos.

Ainda que insensível, eleja o som de outros ventos...

Glória Salles

-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-E.D.A. —

segunda-feira, 15 de abril de 2013















“Panorama...”

O invólucro de certezas que inda sorvo
Adorna o panorama por onde caminho
O cheiro agridoce da espera que absorvo
Transforma a ilusão num cais, num ninho

Atraco a embarcação; meu pergaminho,
e espanto as letras turvas qual um corvo
acompanhada de um velho e bom vinho
que embriaga a inspiração e me comovo

E se a melancolia ousa se acender, portanto
Ainda que com loucas falcatruas, tramando
Possuo o comando desta investida abissal

Verso e com o reverso teço um manto-encanto
meu cais, meu ninho, vão se modificando:
Poemo sóis e luas, dissolvendo o temporal

Glória Salles & Lena Ferreira

terça-feira, 9 de abril de 2013



“Violando o tempo”

Aquele beijo em ritmar uníssono
Implorado pelo meu olhar falante
Cingiu o fogo do coração monótono
Foi tempo de trégua na vida errante

O calor do abraço acendeu a chama
Vestígio cabal de vida inda pulsante
Desatei os laços da ética e pela cama
O amor represado desaguou pulsante

Ombreou nossa porta uma doce magia
Violou com encanto os sonhos guardados
Ocupou os espaços da mútua fantasia
O desejo explodiu sem medo do inesperado

Promessas de amanhãs infinitos, não esperei...
Mas minha falta beijará sua lembrança, eu sei...

Glória Salles

-Registro na Biblioteca Nacional
-Ministério da Cultura
-EDA

segunda-feira, 1 de abril de 2013














“Foi engano…”

Você foi o ascendente de todos os meus enganos
O caminhar interrompido na soleira da entrada
O beijo roubado que alimentou os desenganos
Na tarde divertida e visivelmente apaixonada...

Foi engano o efeito de flutuar quando me olhava
E o esmero imensurável que acreditei ser verdade
O jeito terno no olhar, no sorriso que espreitava.
Talvez fosse embuste o cheiro do fim de tarde...

Os sussurros nos abraços nutriam minha urgência
Ajustavam-se impecável na medida da minha ilusão
Talvez pra me indenizar por tua futura ausência
Conferindo-me a penumbra da austera solidão...

Revelou falso amor, mas não lhe atribuo engano.
É culpa do meu coração, carente, cego... Insano...

Glória Salles

-Registro na Biblioteca Nacional

-Ministério da Cultura

-E.D.A. —