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sexta-feira, 31 de julho de 2009

“Irremediavelmente presa” - Soneto















“Irremediavelmente presa”

Medos e desejos juntos andam
Mérito questionável, um dilema
Ausência de palavras, que me atam
Amordaçam-me, prendem feito algema

Nutrir esse querer sem explicação
É arder pela falta, pela ausência
Sem saber se meu caminhar é vão
E se traço versos sem equivalência

Mas o desejo de te sentir me prende
E essa vontade ceva minha inspiração
Urgência de ter na pele o toque da mão

O olhar te procura, e por mais que tente
Desviá-los e fugir de tamanha insensatez
Querem se perder nos teus, mais uma vez...

Glória Salles
07 dezembro 2008
23:03 hrs

quarta-feira, 29 de julho de 2009

”Por guetos sem rima”


”Por guetos sem rima”

Quando de pés nus caminha intocável
Palmeando o percurso evasivo das veias
Entornando o que vicia veneno dolente
Agonia que alimenta a insana ternura

Na ânsia branda com gosto de urgência
Divisando brumas por entre os atalhos
No doce das palavras projeta horizontes
Mitigando a sede na candura dos lábios

Pelas urbanas noites desliza o sonho
Espalhados cacos em forjados planos
No silencio da curva tenra dos seios
Onde emergem vivos todos os silêncios

Glória Salles
27 maio 2009
15h52min

segunda-feira, 27 de julho de 2009

“Tropeço”

“Tropeço”

Tropeço em tantos momentos vividos
Lembranças que seguem comigo na estrada
Tropeço nesta paixão que não dissimula
Mas é clara, límpida e escancarada.

Tropeço na saudade que me cerca, espreita.
Que ao meu encontro vem nua e se lança
Tira-me o sono, inunda-me os olhos.
E planta em mim, falsa esperança.

Tropeço na tua voz ritmada e rouca
Cujas palavras ecoam em meus ouvidos
Iluminando-me os olhos, tirando os sentidos.

Tropeço em tuas mãos que deixam rastros
Marcando a pele com caricias, provocando.
E esse amor, louco, sem medida tatuando.

Glória Salles
15 / abril / 2008
21h07min

sexta-feira, 24 de julho de 2009

“Então... Você”

“Então... Você”

Inspirada em nadas, pela vida seguia.
Focada, refazendo trilhas, mal percebo.
Que a genuína extensão dessa utopia
É o sopro da esperança que recebo...

Os arcaicos pincéis dessa saudade
Pintam os umbrais da minha porta
Levando-me a fermentar emoções.
Lembrança guardada, quase morta.

Mas ao vê-lo, já intuo, não tem jeito.
O teu cheiro inda dorme no meu peito
Nessa ansiedade, que do nada acordou.

Num milésimo de segundo, essa aragem.
Fez-me ver, sou a mesma na paisagem.
E que esse coração sempre te esperou.

Glória Salles

08 agosto 2008

terça-feira, 21 de julho de 2009

“Assumindo que ainda sou tua”

“Assumindo que ainda sou tua”

É bem verdade que ainda te sinto na pele
Nas brumas, tua lembrança não se ocultou
Porque o corpo pede o que a mente sugere
Cultivar a semente que esse amor germinou

Não nego, quero sua saliva no sabor da minha
Os desejos na superfície do abraço, acordados
Nossos pormenores que ninguém esquadrinha
Infatigavelmente, quero os sabores misturados

Assumo, ainda me surpreendo ofertando beijos
E o calor das tuas mãos, queimando-me a alma
Num percurso louco, que devora-me a calma...

Confesso, quero outra vez a chama dos desejos
Sentir tua fome, quando em puro abandono...
Sem tirar o olhar do meu, da minha boca é dono.

Glória Salles
07 dezembro 2008
19:49hrs

segunda-feira, 20 de julho de 2009

“Alma desnuda”

“Alma desnuda”

Grávida de uma ternura
maltrapilha.
Na folha branca
quisera rabiscar a vida
Desnudar a alma,
expor desejos sutis
Quisera desvendar
os mistérios de cada sílaba
Escancarando todas
as minhas historias...
Com o orvalho
que de minha pena brotava
Quisera inundar
meus alicerces palpáveis
Porem em meu poema pobre
As rimas se perderam...
Então me basta
o afago de um verso ligeiro

Que nasce minando
a lucidez deste mundo.
Tatua a pele que se retrai
ante o arrepio...
Onde florescem indóceis
todas as sensações.

Glória Salles

quarta-feira, 15 de julho de 2009

“Somos unos”

“Somos unos”

Gosto quando vasculha meus contornos
E me toma faminto, indiscretos mergulhos
Faz de teus dedos quentes, meus adornos
O olhar no meu, silencia meus barulhos

Gosto dos toques despudorados e precisos
E se diz que sou o improviso da poesia
Gosto da procura entre beijos e sorrisos
E deste veneno que alimenta a fantasia

Com o arrepio na pele, poros dilatados
Quero dos amantes toda a cumplicidade
Que a manhã nos encontre abandonados
Corpos refletindo da lua a claridade

Coniventes, mergulhados na calmaria
Farta emoção a espreitar a sintonia...

Glória Salles
25 março 2009
23h57min

domingo, 12 de julho de 2009

“Um vazio cheio de adeus...”

“Um vazio cheio de adeus...”

Aqui com você e procurando respostas
Das perguntas que ora me faz ao ouvido
A cinza da saudade turva meu olhar
Cerro-os querendo outra vez o amor vivido

Sussurra, a mecha do meu cabelo enrolando
Dizeres que tantas vezes silente desejei ouvir
Divago lembrando, as muitas noites em vão
Que sozinha aguardei sua promessa de vir

Hoje me soa tediosa e vã essa narrativa
Concluo que não somos o bastante pra nós
Ocupou-se de mim uma triste certeza
De que ontem, hoje, e sempre, seremos sós

Seguimos a vida em naufragadas lembranças
Fazendo de conta que nada aqui se perdeu
E ao nos permitirmos, ficar longe demais
Perdemo-nos, e esse vazio encheu-se de adeus...

Glória Salles
14 novembro 2008
17h37min

quinta-feira, 9 de julho de 2009

“Marcas...”

“Marcas...”

A cama em desalinho
armazena o perfume
Ronda meu silencio
uma ambigüidade inquietante
Sobreviverá este amor
Da densa saudade
E dessa falta absurda?
É a necessidade de você
que me mantém refém dessa
constante procura.
E a realidade emoldura
a delirante fuga...
Se regressar agora,
não haverá despedidas
Furto-me a amargura
desse momento..
Logo...
Antes que amanheça
Vá embora...
Deixa-me somente
Ao ouvido, o ruído da voz
No corpo, o calor das mãos
Na boca, o gosto do beijo
Indeléveis marcas...
De tua presença
ou do meu delírio...


Glória Salles
15 maio 2009
18h23min

segunda-feira, 6 de julho de 2009

“Fartos de nós”

“Fartos de nós”

Chegou lento, sem fé, com o sentir tolhido.
Sozinho, com fome, e cheio do seu vazio.
Palpável frustração trazia no olhar perdido.
Dor evidente nos olhos, alma tremendo de frio.

Trazia em seu farnel, pálidos e velhos sonhos,
Acuado, aturdido, alimentava estranha dúvida.
Carente de afagos, desejos camuflados, bisonhos.
Havia perdido os sonhos, numa virada da vida.

Lancei ao vento os medos, e te acolhi em mim.
Numa farta e tenra ceia, tua fome aniquilei.
E teu coração mal nutrido, solícita sazonei.

Ironicamente veio, mudar minha vida assim.
A certeza no amanhã pude ver no teu sorrir.
E nos fartamos de nós, presos no mesmo sentir.

Em maio / 2006

Glória Salles

sexta-feira, 3 de julho de 2009

“Tua lembrança”

“Tua lembrança”

Tuas palavras tal qual elos eternos
Prendem meu coração, moleque vadio
Acontecem soberanas nos meus invernos
Afugentam meus medos, meu vazio

É nas tuas lembranças que estou imersa
De quando febril, minha pele ensolarava
Aprecio esses momentos em que, dispersa
Ouço a musica da voz que me encantava

Qual mágica, os sons do mundo se calam
Só o ruído das tuas mãos é a linguagem
Eloqüente oração que aos sentidos, falam
Traz promessa de vida, na doce aragem

E quando os braços da noite me embalam
É no colo da lua que as lagrimas resvalam

Glória Salles
06 maio 2009
23h55min

quarta-feira, 1 de julho de 2009

“Apostando no amanhã”

“Apostando no amanhã”

O que é o tempo?
E o que importa?
Já neguei a mim mesma
Tantas vezes.
E tantas outras fiquei,
Salivando esperas.
Feito ilha segredo-me do mundo.
Existo sobre a pele, sem dolo...
Contendo as mulheres
Que vivem em mim
Em suas cordilheiras,
Faço-me inundação
Hoje, permiti ao silencio
Revirar páginas viradas
Lambendo caminhos
Trouxe de volta medos
Tecendo sacrifício de tolo.
Ressinto-me do nada
Que me supera
Sigo a consentir silêncios.
E soletrando desejos.
Aposto no dia seguinte
Que me trará sorrisos...

Glória Salles
14 março 2009
08h45mi