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sábado, 30 de maio de 2009

“Das andanças de mim”



“Das andanças de mim”

Quando o sol em pranto se derramou
Então serenei das andanças de mim
O errante percurso selou a procura
Das sandálias surradas, o andar cessou

A rima dos versos perdi no trajeto
A musica do destino dancei sozinha
Nos acordes que acordam os sentidos
Renovei emoções, rabisquei o projeto

Cedendo ao abraço do (re) começo
Apostei no calor do afago lascivo
Destruí a tramela da porta cerrada
Reconstruí as vontades que conheço

Espero a noite, que chega irreverente
Quando nenhuma palavra é inocente...

Glória Salles
27 maio 2009
17h01min

sexta-feira, 29 de maio de 2009

“Naufrago nos teus mimos”

“Naufrago nos teus mimos”

Meu coração, água agitada pelo vento
Na linha do horizonte se perde a sonhar
A brisa fresca arrasta o pensamento
Pelas espumas das ondas deixa-se levar

Sou vulcão cujas encostas são beijadas
Por ondas de saudade ligeiras, arredias
Que explodem, pra logo voltar serenadas
Acariciando sonhos, lambendo fantasias

Vou à praia dos teus braços ancorar.
Perder-me nesta louca madrugada
Pelo gosto de orvalho me embriagar
No oceano dos teus mimos naufragada.

Sem conter a procura por teus beijos
Insana, me rendo aos teus desejos...

Glória Salles
27 março 2009
19h45min

quinta-feira, 28 de maio de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

“Minha saudade”

“Minha saudade”

Caminhada marcada pelo pó
Peito carregado deste amor
Sentimento falando por si só
Acordando da saudade, o calor

E saudade é pétala umedecida
Lumeeira que ilumina a noite
Te faz andar comigo nesta vida
Aliviando o impacto do açoite

E o barulho da chuva te traz
Do meu poema te faz enredo
Inspira sutilmente minha paz
Lembrança que leva todo o medo

Profusão de emoção em te lembrar
Coração ansioso por te encontrar

Glória Salles

quinta-feira, 21 de maio de 2009

“Vento peregrino”

“Vento peregrino”

O gemido da noite nas frias madrugadas
Acordam a tormenta que a alma abriga
Sentimento alado, emoções sem vagas
Laçam-me o coração, pondo - me perdida

Então decido vagar por tudo o que sei
Flutuo em transe, deixando-me seduzir
Em perfumados risos meu silencio calei
No cheiro de manhãs com gosto de porvir

O canto etéreo do vento parece entender
O apelo suplicante, profundo do coração
Que no manancial de cores quer se perder
Caçando tantos sons peregrinos nos vãos

Acordo com a voz quente que causa arrepio...
Adormeço na boca que adoça e me põe no cio.

Glória Salles
21 maio 2009
21h00min

terça-feira, 19 de maio de 2009

“Tua ausência”


“Tua ausência”

Tua ausência machuca e fere muito mais
Que o cortante, pontiagudo e frio punhal.
E um mix de saudade, emoção e mágoa
Lança-me zonza, num sentimento dual.

Fico assim, perdida entre passado e presente.
E das noites insone, a cruel tortura é a razão.
Lembranças que oscilam, misturam-se na mente.
E a noite um silêncio que grita na escuridão.

Um grito que se mescla ao rabisco no papel
Profundos versos que ecoam na madrugada
Contando a historia que será sempre lembrada.

Resumimo-nos a isso, historia de folhetim.
Contada pelo mar, levada pelo vento, enterrada no cais.
E resta só um vazio, um lamento... Nada mais.

Glória Salles

domingo, 17 de maio de 2009

“Vício”

“Vício”

De repente, a louca saudade.
Das tuas investidas tão insanas.
Por campos, planícies, colinas.
Incansável, me caçando pela cama.

Ver-te, fera livre em meu safári.
E pleno de desvairada paixão.
Fluentemente, conjugar teu verbo.
E acertar no alvo da tua emoção.

Amarrar sem dar um ponto sequer.
Mostrar-te o começo deste novelo.
Cuidar-te, denso e sincero desvelo.

Vem, toma as entranhas por inteiro.
Nessa entrega, que não é desperdício.
E assume que precisamos deste vício.

Glória Salles

sexta-feira, 15 de maio de 2009

“Palavras que quero”



“Palavras que quero”

Palavras...Tantas vezes negligenciadas
Alimentaram sem dó, esse mar de receios
Em alguns momentos, absurdamente vagas
Noutros, regavam o horto dos meus enleios

E mesmo que meros ruídos sem verdade alguma
Incendiavam-me, quando brandamente ditas
Munido de vasta confiança, preenchia a lacuna
Como doces melodias, ao ouvido proferidas

Agora... Ouço a chuva e pela janela espreito
Peço ao vento que cale seu sopro constante
E traga- me a ternura da tua voz cada instante

Aquela mesma voz que inda me queima o peito
As sutis palavras com que ainda me enlaças...
Eu as quero sussurradas, ainda que soem falsas.

Glória Salles

quinta-feira, 14 de maio de 2009

“Amores vãos”

Série Haikai

“Amores vãos”

Coração pulsa
Por amores qual nuvens...
Que vem, ainda que "vãos"

Glória Salles


terça-feira, 12 de maio de 2009

“Não é pra sempre”

“Não é pra sempre”

Nem a espera angustiante.
Menos ainda o gosto de nada...
Não é pra sempre
O vôo sobre a certeza.
Nem a roupagem da ilusão...

Nada é permanente...

Nem o sorriso largo que promete
Nem o lamento frio da dúvida
Nem as portas escancaradas convidando
Menos ainda a descrença do cerne...

Não é pra sempre...

A dor renitente rasgando a alma
Nem mesmo o calor do colo que abriga

Porém sigo...
Registrando desenhos no vento
Pernoitando no calor do peito
Abarcando sonhos...
Que invadem meus dias...

Glória Salles
11 maio 2006
22h32min

segunda-feira, 11 de maio de 2009

“Sou”



“Sou”

Sou do mar, sou sol e sou chuva fresca.
Elucubrações no silencio das horas tecidas.
Sou o hiato das palavras amordaçadas.
O valor de tantas lembranças vividas
Como ondas que movem a vastidão do mar.
Que tomam e conduzem as frações do ser.
Tal como conchas ocas, vazias de pérolas.
Os sentimentos se abrem na ânsia de ser.
Das incertezas que se avolumam em ciclone.
Escrevo na areia os murmúrios das sílabas
Crio minha aventura de vida, oscilando.
Entre dor e delicia, com facilidade absurda.
Como alga flutuo, incólume, transparente.
Embora às vezes me arrebente nas pedras.

Vou grafitando esse mundo de lente cinzenta.
Definitivamente sou da estrada tépida.


Glória Salles

sábado, 9 de maio de 2009

“Amor de mãe”

“Amor de mãe”

Toda e qualquer injustiça, revida com genuíno amor.
Renuncia-se a si própria, não se importa com a dor.
Quando ela se ajoelha, para pedir por um filho.
Mobiliza o céu inteiro, que pára ante seu clamor.

Oração de mãe Deus ouve, reconhece tal sentimento.
Só ao Seu amor se compara tamanho desprendimento.
Na vida dos filhos é benção, e do céu, a dádiva maior.
Abre mão de seus anseios, jamais espera louvor.

Do amor que lhes dedica nunca lhes imputa débito
Vibra com suas vitórias, esquece o próprio mérito.
Essa doce fera vive pra proteger sua prole.
E se um deles se ferir, não há o que a console.

Amor de mãe é pra sempre, como o amor de Deus.
Com a força de uma leoa, ela defende os seus.
Mesmo com a própria vida, disso não abre mão.
Amor que nos impulsiona e acalanta o coração.
Glória Salles

quarta-feira, 6 de maio de 2009

“Página branca”



“Página branca”

Meu coração se apressa em te lembrar
No raro encanto que teu olhar encerra
O calor do teu afago a me queimar
Restringindo a tortura dessa espera

Deusa de tuas noites, apenas quero
Enlanguescer perdida no teu abraço
Aspirar todo encanto, que com esmero
Ofereces no aconchego do teu regaço

Vem, leva o inverno que em mim mora
Quando da tua ausência, farta me vejo
Traz teu olhar, que meus sentidos aflora
Entontece-me com a fúria do teu desejo

Toma meus sonhos nos lençóis de cetim
Sou tua página branca, rabisca em mim

Glória Salles
05 maio 2009
18h17min

terça-feira, 5 de maio de 2009

Série Indriso - “Fênix”

Série Indriso

“Fênix”

A fluidez do tempo não importa mais
Nem a incessante procura da emoção
Só a calma que pousa na lenta respiração.

Nos olhos da alma, mundo novo se abre.
No espelho esfumaçado, momentos vãos.
Nele todas as respostas, de repente estão.

Olhar reflexivo questiona se é capaz...

E do longo silêncio, Fênix ressurge então...

Glória Salles

segunda-feira, 4 de maio de 2009

“Atalhos”

“Atalhos”

Quando levas o melhor de mim....
Aí... Sou do verso, a rima torta.
Simulo um contorno triste
No movimento lento das mãos
A tônica suave do gesto.
Conheço os ecos ensurdecedores
Dos passos trôpegos,
Nas frágeis asas do vento.
Dias lentamente moídos
No moinho dessa vida.
Que de certeza traz somente a demora...
Perdida em horas aladas
Olho a noite, atônita,
Que despe a madrugada
E abraça a manhã.
Tremo quando retiras o xale
Das tuas carícias...
E vem o medo...
Quando teu olhar encontra o meu
E não ouves o que meu corpo fala...
Então meu canto é o uivo
De uma loba ferida...
E passos furtivos, buscam atalhos...

Glória Salles

domingo, 3 de maio de 2009

“Basta-me!”



“Basta-me!”

Um jeito peculiar de me olhar do físico além
Conjuga as ausências em versos de esperança
Afirma que as promessas um dia feitas vêm
E o saldo, das duras batalhas, será bonança

Não acumula de mim, uma imagem distorcida
Sabe os redemoinhos que brutalmente me sopram
Tem o inicio do fio, das amarras da minha vida
Sabe minhas rendições, e onde meus sonhos pousam

Conhece minha fome, faz de sua boca alimento
Como caravela em mar aberto meu corpo navega
Embala meu sono, no doce balanço do vento
Sua rota de navegação faz provocar minha entrega

Cobre minha nudez, com sua poesia, rica e vasta
Enlaça-me, protege, cuida e ama, e isto me basta

Glória Salles

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Teu olhar"

Poetrix

"Teu olhar"


No brilho dos teus olhos, perco a altivez...
Não sei se me encontro,
Ou se me perco de vez...

Glória Salles