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quarta-feira, 24 de março de 2010

“Alma nua”

“Alma nua”

Há lugares longínquos, bucólicos.
Dias bordados em sigilosas tramas.
Pensamentos sobrevoando, insólitos.
No oposto das esperas insanas...

Casulo, textura de incerto alvor.
Que só meu pensamento alcança.
Dentro das horas, silêncio arrasador.
Que acaricia réstias de esperança...

Despida de qualquer sentimento fugaz.
Peito latente, esperança miúda e crua.
Onde mergulho assim, de alma nua...

Apalpando presságios, divisando paz.
Desvarios voláteis, respirando perfume.
No olhar, o crepúsculo, concebendo lume...

Glória Salles


sábado, 20 de março de 2010

“Agradeçamos...” - Soneto


















“Agradeçamos...”

Já que, assim como dádiva nos deparamos...
Tão inusitadamente, que quase não acreditamos...
Com alento nunca esperado nos arrebatamos...
E que pouco a pouco, esse afeto alimentamos...

Então, o bom momento de plenitude, vivamos...
Despidos do que já fomos e sentimos, sigamos...
Outros amores, aromas, gostos, esqueçamos...
A vivencia de solidão, o deserto que atravessamos...

Dissipou como fumaça, quando nos encontramos...
E quando o peito antes árido,com carinho sazonamos
E já que esse mundo só nosso, sem medo abraçamos...
Do amor, todos os enigmas e mitos (re) aprendamos...

Ao prodígio divino que nos atrelou, nos rendamos...
Pois reciprocidade assim, é milagre, convenhamos...

Glória Salles



domingo, 14 de março de 2010

“Teu coração, minha casa”. - Soneto



“Teu coração, minha casa”. - Soneto

É inútil trancar todas as entradas
Na casa do teu coração faço morada
Apenas eu preencho estes teus nadas
Às minhas rendas se rende na madrugada.

Dissemino meu cheiro pelos tapumes
As paredes do teu intimo impregnando
Altero todas as rotinas, teus costumes.
Sou o desejo no teu corpo gotejando

No cálculo das tuas horas, na contagem.
Sou saldo positivo, que te faz perceber.
A vã tentativa de extinguir minha imagem
Que coisa alguma vai minha marca remover

Posso até ser fábula, enigma, ou delírio talvez...
Mas é nos meus rios que teu sonhar tem placidez.

Glória Salles

quarta-feira, 3 de março de 2010

“Promessas veladas”



“Promessas veladas”


O  entardecer silenciou...
O sonho chegara ao fim...
No conforto do peito tão desejado,
O olhar sincero, febril e denso...
Mãos perdidas experimentam o corpo
pedinte e necessitado de amor...
A respiração ofegante, a boca exigente,
evidencia o conhecer da vontade.
O desejo reprimido há tempos,
explodiu nas mãos hábeis...
A ternura sorvida na saliva cúmplice...
O tremor dos corpos em espaçados gemidos.
E entre sussurros, o êxtase.
As promessas veladas e sussurradas,
presentearam a languidez  dos apaixonados...

Glória Salles
02 março 2010