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sábado, 31 de maio de 2008

"Na varanda"




“Na varanda”

Ali, naquela varanda, tabernáculo do amor.
Onde as esperanças sem medo, depositei.
Onde esquecemos o tempo que nos limita.
E em tuas mãos, meu coração coloquei.

Ali fomos atrás dos sonhos, destemidos.
E a cortina da esperança se abriu pra nós
Teu coração encontrou minha essência
Misturamo-nos, e jamais seremos sós.

Da varanda, esse espetáculo de cores.
Quero pra sempre, teu gosto, teus sabores.
Porque cada gesto, eu sei, é verdade

Quero mais dessa sensação furta-cor
Quero ficar e protagonizar esse amor.
Naquela varanda, mora minha saudade.
Maio / 2008


sexta-feira, 30 de maio de 2008

“Só saudade”


“Só saudade”

As lembranças
Tomaram-me de assalto...
Quis fugir.
Quis negar.
Quis calar o coração.
Que descompassado quase saia do peito.
Porem, refém da lembrança.
E da presença tão palpável.
Me permiti sonhar.
Da luz do luar me banhei.
Fiz-me dona das estrelas...
Voei na serenidade da noite
Que se alongou lasciva
E abandonou-se sobre mim
E o inevitável aconteceu...
Borboletas voando na barriga...



quarta-feira, 28 de maio de 2008

“Abro mão”




“Abro mão”

O sonho acabou sem que alguém notasse.
E a cortina trouxe o desfecho da historia.
Apagaram-se as luzes no meio do ato.
De sólido, no palco, só ficou a memória.

Nossa essência esvaiu-se sob a luz difusa.
Escorreu pelos dedos como fina areia.
Minha alma se expôs, onde agora se esvai.
Inexorável silêncio, de repente permeia.

Viverei de lembrar o que poderia ter sido
Emoldurei os momentos intensos vividos.
Do amor as primícias, que vou guardar.

Desse amor que furou as barreiras do tempo.
Abro mão, respeitando o estranho intento.
Só não posso e não vou, abrir mão de te amar.


Maio/ 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

“ Renascendo”





“ Renascendo”

Cansado da velha rotina, o tempo se calou.
Na árida terra, as palavras não vingaram.
Sem motivo, essência, esses versos sem rima.
Solo ressequido que as lágrimas não regaram.

Mas as certezas logo abraçam esperanças.
Que como em procissão, seguem resignadas.
Vento ambíguo sopra em todas as direções.
Toda uma existência nas pálpebras cansadas.

Inútil bater nessas teclas sem descanso
Melhor deixar na praia os remos partidos.
E olhar o horizonte com novos sentidos.

Mergulhar de vez nessas águas de remanso.
Emergir com os sonhos que antes acalentou.
Sulcar os passos por onde, insegura caminhou.

Maio / 2008

domingo, 25 de maio de 2008

"Dormirei cedo "




"Dormirei cedo"

Dormirei cedo porque os sonhos não esperam.
Dormirei cedo como a lua azul que
adormece mal o sol desperta.
Dormirei cedo por saber que para tocar
teu etéreo e longínquo amor apenas tenho
o sono ou a morte.
Dormirei cedo e cedo alcançarei essa paz interna
que cada madrugada promete.
Dormirei cedo e cedo retomarei o caminho.
Dormirei cedo, para que o sonho
chegue logo.
Dormirei cedo, para sentir tua mão
segurando a minha.
Dormirei cedo, para esquecer os olhos doridos,
de uma vida em branco.
Dormirei cedo, para te encontrar
em minha fantasia.
Dormirei cedo, para ter numa única noite,
o que não encontro numa vida inteira.

TCLA -Maio / 2008

quinta-feira, 22 de maio de 2008

“Mágica estação”





“Mágica estação”

Nas pinceladas multicores
Em dourados tons a natureza
Convidando-nos a reflexão
Brinda-nos com tanta beleza

No chão úmido pelo orvalho
Lânguidas folhas repousam
E no tapete avermelhado
Um aroma cítrico exalam.

A magia da natureza revela
Toda a sedução do momento
Enche os olhos de harmonia
Renovando meu sentimento

E como folhas livres ao léu.
Ao sabor do vento, vivemos.
E se olhamos o rubro poente
O ciclo da vida entendemos.

Maio / 2008



terça-feira, 20 de maio de 2008

“Busca incessante”




“Busca incessante”


No vazio dos olhos busco tua luz
Na singeleza dos gestos busco teu carinho
No frescor da boca busco o gosto da tua
No compasso do coração busco tuas palavras
No sussurro do vento busco o som da tua voz
No vasto horizonte busco tocar tuas mãos
Na aquarela dos sonhos busco tua realidade
Nas rimas dos versos busco teu contexto
Nos braços da noite busco teu abraço quente
No desenho das nuvens busco nossas silhuetas
Na ousadia do mar busco tua coragem
No barco que vejo ao longe, busco teu equilíbrio.
No sol que me aquece busco teu aconchego
Na solidão dos pensamentos busco tua companhia.
Na busca por você, me perco de mim...



domingo, 18 de maio de 2008

“Sou silêncio”


“Sou silêncio”

Sobra saudade, excesso de lembranças.
Desfilam por mim, cenas que jamais vivemos,
Nada pode dissimular as frestas que se abriram.

E da varanda do meu coração, olho o presente.
Sua ausência silenciosa estilhaça minha vidraça.
Abala os alicerces da minha crença.

Não quero mais essa abrupta agonia
Nem essa mudez que paralisa até a dor
Quero de novo as asas que sua presença dá.

A bandeira da esperança, quero içada.
Quero tecer poemas, rimas, quero a festa.
Quero essa brisa morna, a me embalar.

Por ora um perfume de ja(z)mim envolve o ar.
E com tantos pensares e quereres me aquieto.
Profundo, exorável e pragmático silêncio...


quarta-feira, 14 de maio de 2008

terça-feira, 13 de maio de 2008

"Noite insone"




“Noite insone”


Antes que chegue
a manhã...
À beira dos lençóis
Recolho estilhaços
da noite insone.
Palavras consumidas,
Inauditas.
Lábios ausentes.
Sonhos rasgados...

Fragmentos de desejo,
aqui e lá,
Repousam sob a fronha,
Resquício de mim...
Deixo-me ficar...
E na parede sombria,
dança o silencio.
Pragmático silêncio...
Mansamente a brisa
da manhã,
Balança cortinas e
Sentimentos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

“Renda-se"

“Renda-se"

Entre sonhos, meu coração quieto repousa.
A lua me absorve com seu prateado manto
Com magia ,sedução envolvente ela dança
Etérea, derrama lentamente seu encanto.

Então, arde uma fogueira dentro em mim
Nem mesmo a cálida noite pode apaziguar
É fogo que lambe e consome toda a lucidez
Rasga-me o peito, alucina, me faz delirar.

No exílio da nossa varanda eu espero
Porque quero os sabores que sonhamos
O espesso sonho que acalentamos

Nesse santuário de amor, hoje quero
Extrapolar os limites, ser-te só oferenda.
Ver-te livre, render-se as minhas rendas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

"Fusão de sentimentos" - Soneto




"Fusão de sentimentos"

O efeito sobre mim, é entorpecente e envolvente,
Sabe como me conduzir, e meus sonhos decifrar.
O jeito que me olha, consegue fazer o tempo parar.
E quando me abraça o mundo gira lentamente.

Sabe tudo de mim, sonda meu interior, me desnuda...
E tudo fica assim, frágil e sublime, como uma canção.
Digo coisas que nunca disse, tal como pede o coração.
E com o mesmo poder, me tira as palavras, fico muda.

Supre meus dias entediados, e faze-o com extrema altivez.
Mostra-me as estrelas nas minhas escuras e longas noites.
Faz-me crer no “Pra sempre” das historias de “Era uma vez”.

Alegria que faz doer, para em seguida, ser pura languidez.
Tão assim, uma etérea mistura , entre sublime e carnal.
Numa fusão de desejos, como ser anjo e desejar ser mortal.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

“Desejo”




“Desejo”

Porque...
Treme a minha pele macia
Quando os teus dedos
Unidos em uma só mão
Espantam o vôo das borboletas
Que gemem cobrindo
Das suas garridas cores
O instante de um toque
E os meus dedos
Ávidos da tua esperança
Conduzem suavemente
A palma da tua mão
Até ao longínquo e solitário recanto
onde
Quando batem as asas azuis e delicadas
Significa que o amor
Pode acontecer
(um pouco à pressa)

C.T.
Outono / 2008

segunda-feira, 5 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

“No teu olhar”



“No teu olhar”


Pensamentos vazios, mas não hesito.
E a passos largos continuo a caminhada
O vento fustiga o rosto, me seca as lágrimas.
Mas persisto na ânsia da chegada.

Persigo meu sonho. Insensatez... talvez
Mas sou inteira, nada quero pela metade.
Alimento-me deles, e prefiro não desistir,
Parar ainda a caminho, não é minha realidade.

Como areia fina que escorre pelos dedos
O tempo parece fugir não me deixa chegar.
E lenta, caminho em direção ao futuro.
Até aquele olhar que me permitirá sonhar

Muito perdi ao longo do caminho
Na ânsia de ser livre, deixei escapar.
Percebi a tempo, preciso desse carinho.
E me achar, quando encontrar teu olhar.

junho / 2007