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sábado, 28 de novembro de 2009

“Um dia de cada vez...”



“Um dia de cada vez...”

São bocados de lembranças atadas ao tempo
Que parecem não ter forma, ambiente, sequer cor
Ensurdeço nesta ânsia de atrasar o tal momento
Desejo uterino de ouvir o pulsar, sentir o calor

Nossos opostos acumulados eram emoção e razão

Feitas da mesma matéria éramos causa e efeito
Hoje meu olhar vaga, nada assimila com exatidão
É meu coração pulsando, agora fora do peito

E fica uma sensação de busca interminável

Parece esquina errada, assunto mal acabado
Hoje, metade de mim domina a dor implacável
E a outra metade abraça um ser fragmentado

Munida de força e fé, sobrevivo com altivez
Sustentando esta saudade, um dia de cada vez.

(Gloria Salles )

Imagem de :
www.olhares.com/luizhenrique


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

“Tantas frestas” - Soneto





















“Tantas frestas”

A incapacidade das minhas letras mutiladas
Deixam sem querer, expostas tantas feridas.
Um canto repleto de notas tristes despejadas.
Cuja harmonia se foi, em tantas vindas e idas.

E nos recantos dos versos, frestas denunciam.
O esforço contínuo que ainda em mim perdura
De querer novo começo, mas os gritos silenciam.
Limitando a eficácia do que considero armadura

Frestas evidentes me fazem um ser vulnerável.
Aos sutis e astutos ataques do ego inflamado
Que caça o ponto fraco, tentando faze-lo inábil.
Tentativa vã de ver o muro de arrimo dizimado

Porem se pelas frestas a luz turva meu olhar
Por elas, o norte certeiro me capacita desvendar.

Glória Salles
31 outubro 2009
22h56min

terça-feira, 17 de novembro de 2009

“Dança comigo...”



“Dança comigo...”

O brilho solícito no olhar fascinante
Deslizar nos acordes suti
s da sinfonia

Sensual caricia em harmonioso ritmo
Inconfessável sussurro, canto que inebria.

Sedutora fragrância faz o sangue ferver
Precisão de movimentos, linguagem poética.
E a mão quente espalmada nas costas nuas
Faz perder o tino, entorpecer, esquecer a ética.

O olhar dentro do olhar desnuda a alma.
Os corações pulsam no mesmo compasso
O enroscar de pernas provocando arrepio
A sinfonia da ternura conduzindo os passos

O beijo esperado prolonga a mágica hora
Emoção e paixão fazem o tempo de agora...

Glória Salles
09 setembro 2009
19h05min





segunda-feira, 9 de novembro de 2009

“A mensagem do mar” - Soneto




























“A mensagem do mar” - Soneto

Dinamitei o cais cheio de espaços precários
Espargindo fragmentos de minhas emoções
Pedi ao mar que levasse os sonhos solitários
Numa concha qualquer guardei as recordações

Encarcerei os sonhos que andavam a deriva
Tranquei os pactos alicerçados no amanhã
Não ouvi a censura das vozes prerrogativas.
Rabisquei versos vagos, cheios de rimas vãs.

O conceito de certezas castas, a maré levou.
E na dúvida do momento repudiei a crença
Abandonada na areia, a onda meu pé beijou.
Irrigando o solo árido da minha indiferença

Entendi a mensagem composta neste azul abissal
No meu poema há reticências, jamais ponto final.

Glória Salles
09 outubro 2009
00h12min


terça-feira, 3 de novembro de 2009

“Pede…”















“Pede…”

Pede, e recosto em seu peito condescendente.
E ouço suas dóceis e envolventes juras de amor
Pede, e deixo-me persuadir pela cumplicidade.
Do olhar enigmático e oculto que revelam ardor

Pede, e não permito entre nós nenhum espaço.
Deixo seu sorriso aberto me enlear as vontades
Pede, e consentida, respiro feliz no seu compasso.
E deixo o desconhecido ganhar ares de realidade

Pede, e alço vôo no azul do seu corpo sedento.
Deixo seus afagos, me caçarem ousadamente.
Pede, e deixo o corpo falar, no crucial momento.
E entre sussurros e sorrisos, recebo-o no ventre.

Por fim, se lacônico ou inesgotável, estes laços.
Pede, e me abandono na paz dos seus abraços.

Glória Salles
26 outubro 2009
23h57min