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segunda-feira, 29 de junho de 2009

“Simples assim...”

Simples assim...”

Soprando afeto, vou multiplicando meus eus
Percorrendo a vida, em sonhos avarandados.
No campo da emoção faço minha cama.
Às vezes lágrimas, sob sorrisos disfarçados.

Vou brincando de ferver minhas artérias.
Equilibrando pensamentos esmiuçados
Brinco na fantasia pálida do delírio
O chão adubo de sonhos, desejos eriçados

No céu rabisco todos os sentimentos.
Alimento-me do cheiro da chuva, do vento
Nas veias da ilusão passeio sem culpa
Nas utopias e nos caminhos que invento

De nada adianta esquadrinhar as causas.
Sou feita de nós e de abundantes pausas.


Glória Salles
19 junho 2009
23h47min

quinta-feira, 25 de junho de 2009

“Toque-me”

“Toque-me”

Toque-me... Porque a brisa da madrugada
A mesma que movimenta sentimentos
Esta brasa no peito não pode abrandar
E a tantas lembranças me mantém atada

Toque-me... Rompe a corrente que escraviza
Encarcera o desejo, aprisiona os sentidos.
Liberte os sonhos, e que esses sobrevoem
Por sobre o extremo das emoções contidas

Toque-me... Trazendo no toque toda a vida
No calor generoso do sol na minha janela
Traga fogo que derreta sutilmente esta geleira
Vem sarando a carência insana e desmedida

Toque-me... Quero o cheiro desta historia
Que o crepúsculo reascende na memória...

Glória Salles
29 maio 2009
20h36min

domingo, 21 de junho de 2009

Quando você vem...

“Quando você vem...”

Destilo poesia, versos estanques, no cio
A quem fez meu coração cativo, me amarrou
Nessa prisão onde até teus álibis silencio
Já que sei de cor, onde teu caminhar o levou

Se chegas, produzes um arco Iris em mim
Tua ausência rascante é depressa suprida
O nevoeiro se esvai, viçando nosso jardim
Brilham olhos tristes, esquecem a dor sentida

Sai recolhendo os pedaços, na casa abandonada
Exorciza os fantasmas que arrastam correntes
Na solidão das noites, pensamentos dolentes

Viajam ate você, olhos perdidos no nada
Veias cantam poemas, falam desta saudade
Ao entrar pela porta, os versos viram verdade

Glória Salles

quarta-feira, 17 de junho de 2009

“Incompatibilidades”

“Incompatibilidades”

A sensação é de que as paisagens secaram
E nômade pelos meus desertos caminho
Estradas vistas apenas pelos meus olhos
Lugares improváveis, não encontro ninho

E quem disse que o que de fato desejo
É nesse solo arenoso ter os pés fincados?
Ando querendo deitar em nuvens de algodão
Quero o vento cantando em meus telhados

Varrendo do coração, exterminando as mágoas
A sensibilidade atada a um pavio... Mais longo
Gritar meus silêncios num contraditório estrondo

Deixar que flua livre o curso das minhas águas
Abrir portas, mandar tênues certezas embora
Ser por dentro, compatível com o que sou por fora.

Glória Salles
08 setembro 2008

sábado, 13 de junho de 2009

"Lembranças"


“Lembranças”

Olhar atoleimado,
perde-se no verde profundo.
Refém de tantas imagens,
neste sorriso, bordadas...
Caminho, na praia
de um mar indolente.
No rosto, a brisa fresca
e salgada...
Na areia, as pegadas
não mais incertas.
No olhar, a calma azul
da saudade.
Manhãs festeiras,
de madrugadas perenes.
Que guardei com esmero,
numa imensa concha.
Caminho, sentindo
fluir a maré.
Na praia de minhas
lembranças.


Praia Morena – Ilha Bela

Glória Salles


quinta-feira, 11 de junho de 2009

“Nosso mundo”

“Nosso mundo”

Ele vive a vida bem longe de mim
Mas resignada enfeito o caminho
Porque toda a noite ele vem assim
Ser feliz, no calor do nosso ninho

Aí deixo o presente virar passado
Cores quentes, vivas em minha tela
Deixo o silencio soberano no tablado
Quero a verdade que este olhar revela

Dia desses, sei, não será mais sonho
E no vácuo não se perderá nossa voz
Mãos quentes farão nosso mundo risonho
Então este amor vai desaguar em foz...

Meu desejo trará de vez, em breve...
O peso do corpo que me faz mais leve.

Glória Salles
14 março 2009
10h30min

quarta-feira, 10 de junho de 2009

“Tudo muda”

“Tudo muda”

O que me apavora,
não é o desvario que é içado
por minha fantasia.
Mas a incompletude
desta trama.
Amedronta-me a confiança inerte,
que mancha de fastio
o dia seguinte,
por conta do arrebatador que
se ausenta no que é previsto.
Não temo a vida
e os seus montantes fartos.
Mas o cuidado excessivo
com o pormenor que permite
a sentença negada!
Não me intimida o delírio
que sugestiona a escolta do insólito.
Insosso o trajeto delineado,
os passos seguros,
por caminhos alinhados.
Roubando a cor do prisma
Com prévia decorrência.
Escolho o inusitado risco das curvas.
No minuto seguinte...
Na primeira curva...
Tudo pode mudar.

Glória Salles
22 junho 2004
02h35min

terça-feira, 9 de junho de 2009

Meu Colibri

Meu Colibri

Saudade de certo colibri
Que um dia mergulhou
No doce da minha boca
E desse mel provou

Deliciou-se nesse vinho
Hálito que o embriagou
Néctar que o prendeu
Incendiando-o de amor

Mas foi embora, o lindo colibri.
E deixou vazio nosso ninho
Só quis cuidá-lo e envolvê-lo
No doce néctar do meu carinho

De carona no vento se foi
Gorjear em outro lugar
E aquele seu canto triste
Não pude mais escutar.

Aquela asa quebrada
Por certo já se colou
Seja muito feliz colibri
Seu canto me libertou.


05 janeiro / 2008
18h57min

sábado, 6 de junho de 2009

“Por toda a noite”

“Por toda a noite”

Deixamos o fogo intenso nos queimar
Em convulsões vibramos por querer
Deixamos o amor, o segredo desvendar
Nossos corpos atados em prazer

Nos afogamos nos mares da paixão
Transbordou o cálice da fantasia
Tantas visões do paraíso, imensidão
Desataram nossos nós, pura sangria

Sorvendo nos provamos, extasiados
Conseguimos entrever sublime céu
E famintos, nos fartamos desse mel

A madrugada nos encontrou cansados
Fartos, inebriados... E ainda assim
A noite se alongou lasciva enfim...

Glória Salles
23 março 2009
02h55min

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Valeu a pena"

"Valeu a pena"

No palco do coração,
Vivemos o pleno e intenso momento .
Desenhando nas pautas da nossa emoção.
A base e o alicerce desse sentimento...
Porque somos os heróis dessa nossa história
Deixamos fluir, sem pensar em partida.
Porque não cabe a nós, o prelúdio deste drama...
Não antes da peça, propriamente dita.
Mas se findar agora e descerem as cortinas.

Terá valido a pena cada cena vivida...

Glória Salles
08 de março de 2008
00h21min

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Quero ser"

"Quero ser"

Quero ser do teu texto o contexto.
As palavras que em tua folha, moram.
Quero ser teu cajado esferográfico.
E as sílabas que teus versos encorpam.

Quero ser os mais lindos pensamentos
Que vagueiam teus poemas, inspirando...
Do teu olhar triste e semblante soturno,
Quero ser do sorriso, a vida emprestando.

Das lembranças, ser a melhor memória
Ser o sonho que mora em teu horizonte...
E o “pra sempre” dessa tua história.

Quero ser aquele momento profundo...
Ser a paz, aconchego, silêncio envolvente.
Quero ser a pausa, enquanto anda o mundo.

Glória Salles