
"Intrusa"
Tem uma moça morando aqui em mim.
Grávida de uma ternura maltrapilha.
Vai multiplicando meus eus...
Brincando de ferver minhas artérias.
Desavisada, percorre espaços fechados.
E pela destreza com que caminha,
Dá pra ver que chegou há algum tempo.
Abre portas trancafiadas.
Eriçando as próprias vontades.
E segue soprando afetos.
Minando a lucidez desse mundo.
No campo das emoções faz sua cama.
Aduba de sonhos seu chão.
Onde florescem indóceis todas as sensações.
Mas essa estrada se faz longa demais
E antes que escancare minhas historias...
Antes que desnude minha alma.
Antes que exponha meus desejos...
Antes que morra de amor...
É preciso que alguém lhe diga...
Que há mistérios em cada sílaba.
É preciso que alguém a segure.
Em 07/12/2006
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